Proseando... com Rubem Alves

Prosear é um jeito de falar. Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. Palavras fluindo. Um jeito taoísta de ser. Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. A prosa não quer chegar a nenhum lugar. A prosa encontra sua felicidade em prosear. Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. 'A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia', Guimarães Rosa. Prosear é brincar com as palavras. Escrevi uma crônica com o título Tênis x Frescobol, sobre dois tipos de fala. Fala do tipo Tênis tem um objetivo preciso: reduzir o outro ao silêncio por meio de uma cortada. Ter razão. Ganhar o argumento. Convencer. Sempre termina mal. Um ganha, fica feliz e se sentindo superior. O outro perde, fica com raiva e se sentindo inferior. Frescobol é diferente. A felicidade do jogo está em estar acontecendo, em não parar, vai, vem, vai, vem, vai, vem, como numa transa indiana, sem orgasmo, feita de um prazer permanente que não acaba. O orgasmo na transa, como a cortada no tênis, são o fim do brinquedo. Saber prosear, jogar conversa fora, é o segredo das relações amorosas. Nietzsche dizia que quando se vai casar a única pergunta importante a se fazer é 'terei prazer em conversar com essa pessoa quando eu for velho?' Nessa sala estaremos proseando. Falar sobre o que der na telha. Pensamentos avulsos. Dicas. Informações sobre as coisas novas na minha casa. Apareça sempre para prosear!

http://www.rubemalves.com.br/proseando.htm

 Se você tiver mais um tempinho leia também o texto Tênis e frescobol:

http://www.rubemalves.com.br/tenisfrescobol.htm

Sinto sua falta...

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém

que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser.

Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor  das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar  duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar  porque um belo dia se morre."

(Clarice Lispector)

 

São tantas perguntas sem resposta....

Nada Sei (apneia)
(Paula Toller)

Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber

Que lugar me pertence
Que eu possa abandonar
Que lugar me contém
Que possa me parar

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando enquanto o tempo me deixar

Nada sei desse mar
Nado sem saber
De seus peixes, suas perdas
De seu não respirar

Nesse mar
Os segundos insistem em naufragar
Esse mar me seduz
Mas é só pra me afogar

Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando enquanto o tempo me deixar passar
Vou errando enquanto o tempo me deixar .

A louca e eu

A louca usa
Uma colcha
De retalhos.
Eu uso uma
De palavras.

Nós duas
No meio da rua:
Ambas
Desamparadas,
Tristes,
Esfarrapadas.

(Poesia de autoria de Lígia Gomes Carneiro
reprodução proibida sem autorização.)

Saudade...
Escrito no lugar que vc mais amava...saudades, sempre!
Existem montanhas em nosso caminho

Tem momentos em que os obstáculos parecem montanhas intransponíveis, e que simplesmente seria mais fácil deixar pra lá.Mas,algo dentro de mim insiste e acabo encontrando forças para prosseguir  na caminhada,na escalada rumo ao topo,a vitória, ao amor, a liberdade ,ao sonho...                            

Acreditar que ainda é possível virar o jogo,crescer, buscar o tempo perdido...

Vocês já assistirão ao filme  "A Força do Destino" (An Officer and a Gentleman) - Richard Gere & Debra Winger. ?

Quem assistiu ao filme sabe o que significou essa cena final.

forca do destino forca do destino - cena final

O tema musical do filme é um estímulo à persistência.

Leiam a letra: "Up Where We Belong" - Joe Cocker & Jennifer Warnes

Who knows what tomorrow brings,
Quem sabe o que o amanhã traz,
In a world, few hearts survive.
Num mundo, poucos corações sobrevivem.
All I know is the way I feel,
Tudo que sei é o modo que me sinto,
When it's real, I keep it alive.
Quando é verdadeiro, eu mantenho vivo.

The road is long,
A estrada é longa,
there are mountains in our way,
Existem montanhas em nosso caminho,
But we climb a step every day...
Mas nós escalamos um passo a cada dia...

Refrão:
Love lift us up where we belong
Amor, levante-nos para o alto onde nós pertencemos,
Where the eagles cry on a mountain high
Onde as águias gritam no topo de uma montanha
Love lift us up where we belong
Amor, levante-nos para o alto onde nós pertencemos
Far from the world we know,
Longe do mundo que conhecemos,
Up where the clear winds blow.
No alto onde os ventos límpidos sopram.

Some hang on to "used to be",
Alguns insistem no "costumava ser",
Live their lives, looking behind.
Vivem suas vidas olhando para trás.
All we have is here and now,
Tudo que temos está aqui e agora,
All our life, out there to find...
Toda nossa vida, lá fora para descobrir...

The road is long,
A estrada é longa,
There are mountains in our way,
Existem montanhas em nosso caminho,
But we climb them a step every day...
Mas nós escalamos um passo a cada dia...

Refrão

Time goes by,
O tempo passa,
No time to cry.
Não há tempo para chorar.
Life's you and I,
A vida é você e eu,
Alive...today...
Vivos... hoje...
(Tradução by Prestes & Gomes Translation)

Talvez seja isso que importa.... escalar....um passo a cada dia....

Vista cansada by Otto Lara Resende


Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última vez ou pela primeira vez?Pela primeira vez foi outro escritor quem disse.Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente.Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua.Não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.
Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta.Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que,de tanto ver, a gente banaliza o olhar.Vê não-vendo.
Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é.O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro.Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência.Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia.Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.Mas há sempre o que ver.Gente, coisas, bichos. E vemos ? Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que , de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas .Nossos olhos se gastam no dia-a-dia,opacos.É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.




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